A busca por razões só não pode ultrapassar o limite do não-limite, pois eu não posso chegar num ponto onde afirmo "encontrei a resposta". Isso somente prova que não encontrei resposta alguma. Prova apenas que parei minha caminhada. Essa resposta não existe dentro das minhas variáveis, o que existe é a satisfação e o comodismo quando chega um aviso confortante.
No que diz respeito ao que se carrega dentro, a busca é comparada a um eterno limpar. É fácil sujar tanto quanto permitir que sujem nossas idéias, nossos sonhos e inspirações. É por isso que não precisamos ir muito longe pra (re)encontrá-las, basta polir a superfície e o que você procura além está aqui. Só precisa ser reforçada - ou descartada, simplesmente.
Me preocupo em definir tudo, e no fim, tudo carece da necessidade de definição (como foi-me concebido como de.fi.ni.ção "O que estou fazendo agora ? Pra que tantas palavras ?"). De tanto querer entender no fim não entendo nada.
As vezes é tão mais simples e importante parar no momento e prestar atenção na forma que as coisas se manifestam, dentro e fora...
jogo-me de um trampolim na água as vezes de temperatura não agradável, de olhos bem abertos. O foco é sentir a água tomando conta do corpo, além de cada póro da pele
... e calar o pensamento, que nessas horas só tumultuam e confundem mais.
A existência é assim: nos mostra o horizonte logo após a curva. Proporciona, na sombra delimitada do corpo a chance de gritar frente a toda e qualquer pergunta: "eu não sei, eu não sei", pra quando eu acreditar que sei alguma coisa, ela fazer com que eu diga que foi ela quem me presenteou* uma nova perspectiva e mais um banquete de dúvidas.
* Presenteou, no contexto que criei, cita a forma com que o presente foi apresentado à nós. Algo que vem de fora, além. Mãos alheias. Ou destino. Algo que nos faz negar o poder que temos sobre a vida, sobre nós, sobre o curso das palavras e atitudes que nos são direcionadas.
É como jogar a moeda pra trás, de olhos fechados, e ainda dizer "seja o que Deus quiser".
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