27.2.10

... Olhou fixamente, imaginando dois olhos - foi um momento de solidão e ele precisava sentir qualquer presença. Os últimos dias tem sido difíceis. Tentava encontrar no fundo daqueles olhos imaginários uma pontinha de sentimento - "mas os olhos não existem" - pensou consigo mesmo. 
... uma voz no vazio de seu silêncio - sim, uma voz que falava no silêncio absoluto: "pare com isso, a vida não deve ser assim tão difícil, se frases otimistas parecerem fazer você encher-se de ilusão, sofra enquanto é tempo de sofrer".
Os dias tem passado rápido e o que parecia ser concreto já não é mais o mesmo concreto de antes, as lembranças que ficaram do último ano ainda não são fáceis de engolir ou até mesmo acreditar que aconteceram. 
Foram tantas feridas abertas, apunhaladas, que por alguns momentos, ele perdeu o que todo mundo diz que ser a última que morre. 
... as dúvidas que batem no peito, na cabeça, agora pedem atenção: "Por que ainda sinto-me assim ? Existe tempo desperdiçado ?"
A Resposta poderia ser: seu coração ainda não se deu conta de que viveu algo desconhecido. Os momentos desperdiçados, mal pensados, representam somente o que você não quer de novo. "É tanto murmurinho que passa na cabeça". 
Digerir os fatos é tão natural quanto silenciar seus pensamentos - essas horas chegam a ser tão vazias que é como se a morte estivesse soprando sua presença. 
... o recomeço lhe foi ofertado. 

A dor encontra razão quando nos faz acreditar que perdemos o que sempre deveria estar presente: a Vida, não somente no sentido de físico, palpável, mas uma Vida que representa além de qualquer sentido conhecido. A Eternidade que não pode ser exprimida em termos da mente racional, que tudo quer ordenar e definir.

E se nos perdemos durante a caminhada ? 
... as escolhas tomadas durante a nossa jornada apresentam-se como nuances, facetas de um leque, atalhos; faz parte do norteador. Siga o seu céu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário