(Parece que tudo está desmoronando, não entendo o que eles querem. São como terremotos destruindo tudo o que existe. Eles são os terremotos. É como alguém sufocando e estrangulando minha garganta. Isso é pior que os tremores. Isso é...)
Uma criança ao lado de seu salvador - ou poderia dizer, um homem louco com tubos de respiração beirando a morte - desorientada, ouve as serenas palavras:
- Não respire por mim, não sou merecedor pois não conheço um caminho pra me desculpar pelo que fiz. E não me sinto mal por isso. Por que, depois de tudo você ainda chora por mim ?
Ele fechou meus olhos, deu-me o beijo de despedida e sussurrou "durma criança e sonhe esta noite, apenas sonhe".
A pior parte é ver o sonho ir embora de mãos dadas com os monstros que fiz crescer.
Três brindes à ignorância, à apatia sem máscaras. Fecho meus olhos e durmo, elevo meus sonhos, nutro-me deles e esqueço o resto. Voando pro meu mundo, clamo por todo o sangue que vi derramado enquanto acordado.
(... um sonho, onde vejo pessoas que eu amo morrendo. Não são apenas terremotos, são pessoas gritando. Eu não consigo acordar, eu não consigo.)


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