8.10.13

Ah, o Rodrigo


- Eu sei, converso comigo no final das contas. 

Sentimento meu não é de ninguém mais. Vivo comigo mesmo, por mim mesmo como se tudo fosse parte de uma grande projeção onde sou o único responsável, o primeiro a sentir a consequência e o último a ser vitimado. Sou eu quem está na linha de frente e nas rédeas do meu mundo, sempre.

Enquanto vivo e inexperiente, viajo entre um extremo e outro, lambendo nas pontas dos dedos o que meu corpo já quer tomar conta, e por isso, aí encontra-se a tênue fronteira entre eu e o outro. Nunca desejei impor o que acredito. 

Assimilar tanta informação interna é não cansar de aprender sobre mim, sobre o un(i)verso.  Escrever é materializar alguém que existe na minha cabeça, assim eu digo: não passo mel na pele porque não é isso que você terá de mim. O que o outro tem pra me oferecer não me pertence. Você é perfeito, não é da minha natureza desvalorizar e essa mesma natureza fará o possível pra apreciar sua beleza - e além dela - as vezes qualidades e defeitos que nem você aprecia ou desconheça em si. 

- Viajo a pé, carregando minha trouxinha e uso um óculos lente cor-de-rosa.


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