14.12.10

Se os dedos do pé tivessem olhos, 
então eu poderia ver 
como meus pés sabem onde ir, 
mas os dedos do pé são cegos. 
E como é isto que minha língua 
fala palavras que não pode ouvir? 
Porque para toda sua eloqüência, 
a própria língua é surda, 
e golpeia em silêncio. 

Se línguas tivessem cérebros próprios, 
então eu poderia entender 
como elas podem falar de cálculo 
sem uma educação, 
sem ao menos aprender gramática. 
E quem ensinou a meus dedos como soletrar? 
Pois quando escrevo, eles formam as letras 
como se tivessem lido um livro de ortografia 
ou estudado vocabulário. 

Cientistas e homens de palavras 
nos falam que o cérebro 
leva mensagens, 
contando a cada parte do corpo 
apenas o que é seu propósito, 
assim, quando um novo cérebro tem início, 
ele sabe que é feito para pensar. 
Mas como ele sabe o que são os pensamentos, 
se ele nunca teve um pensamento antes? 
E por que a nova língua começa a chorar, 
quando não pode ouvir o som que faz, 
mas repousa, surda, na nova boca? 
O que move a língua? 

Se tudo que somos é carne, 
e carne é feita de moléculas, 
então como os sábios átomos  
ensinam a si mesmos como caminhar,  
e treinam mudas orelhas a escutar 
palavras que eles nunca podem falar ? 


Jane Roberts


©  Do livro ‘O Deus de Jane: Um manifesto Psíquico, de Jane Roberts
Tradução: LLima, São Paulo, SP, Brasil

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