Se os dedos do pé tivessem olhos,
então eu poderia ver
como meus pés sabem onde ir,
mas os dedos do pé são cegos.
E como é isto que minha língua
fala palavras que não pode ouvir?
Porque para toda sua eloqüência,
a própria língua é surda,
e golpeia em silêncio.
Se línguas tivessem cérebros próprios,
então eu poderia entender
como elas podem falar de cálculo
sem uma educação,
sem ao menos aprender gramática.
E quem ensinou a meus dedos como soletrar?
Pois quando escrevo, eles formam as letras
como se tivessem lido um livro de ortografia
ou estudado vocabulário.
Cientistas e homens de palavras
nos falam que o cérebro
leva mensagens,
contando a cada parte do corpo
apenas o que é seu propósito,
assim, quando um novo cérebro tem início,
ele sabe que é feito para pensar.
Mas como ele sabe o que são os pensamentos,
se ele nunca teve um pensamento antes?
E por que a nova língua começa a chorar,
quando não pode ouvir o som que faz,
mas repousa, surda, na nova boca?
O que move a língua?
Se tudo que somos é carne,
e carne é feita de moléculas,
então como os sábios átomos
ensinam a si mesmos como caminhar,
e treinam mudas orelhas a escutar
palavras que eles nunca podem falar ?
Jane Roberts
© Do livro ‘O Deus de Jane: Um manifesto Psíquico, de Jane Roberts
Tradução: LLima, São Paulo, SP, Brasil
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